É com essa interrogação que guio minha prática clínica. Sou Daniela Barros da Silveira, psicanalista e psicóloga, e dedico minha trajetória a sustentar a escuta do sujeito do inconsciente nos corredores e leitos onde o discurso médico muitas vezes tenta silenciá-lo. 

Minha jornada começou na UERJ, onde me graduei em Psicologia. A partir dali, trilhei um caminho de dedicação intensa que se refletiu em aprovações em diversos concursos públicos rigorosos. Conquistei o 2º lugar para a Residência em Psicologia Clínico-Institucional no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ); fui aprovada como psicóloga civil concursada na Marinha do Brasil e da Prefeitura do Rio de Janeiro entre outros.

Contudo, foi no encontro com a iminência da morte, com as urgências subjetivas e com as vicissitudes do adoecimento orgânico grave que firmei meu desejo. São mais de 25 anos acompanhando de perto pacientes nas enfermarias e nos CTIs de hospitais. Ali, onde a “tirania do saber” e o tempo cronológico ditam as regras, eu escolho lutar contra a maré para introduzir o tempo do sujeito. 

Meu trabalho diário não é oferecer conselhos ou promessas alinhadas à moral do “Bem Supremo”. Minha posição é a da “douta ignorância”. Estou no hospital para acolher o absoluto desamparo e a angústia frente ao horror da finitude, recusando-me a recuar da práxis psicanalítica mesmo diante do insuportável.

Para dar contorno a esse indizível, busco o constante rigor teórico. Sou Especialista em Psicanálise e Saúde Mental e Mestre em Psicanálise pela UERJ, onde pesquisei minuciosamente sobre as Incidências do Real em pessoas hospitalizadas. 

O amadurecimento dessa clínica viva e dialética já tomou forma em publicações: fui uma das organizadoras da obra “Que lugar? O psicanalista no hospital” e, em 2022, lancei meu livro O impacto do real em um hospital, pela Editora Dialética.

Convido vocês a me acompanharem neste blog, criado com um propósito muito claro: ajudar psicanalistas a praticarem e sustentarem a Psicanálise nos hospitais. Quero compartilhar com vocês a construção dessa clínica do sujeito para que não recuemos da nossa práxis, mesmo quando for preciso resistir ao discurso médico, dominante nas Instituições de Saúde. Quando a ciência esgota os recursos diante do indizível e o paciente em total desespero pede “me ajuda, Daniela!”, nós sabemos que o que resgata a singularidade da vida é a possibilidade de amarrar o trauma através das palavras.

Sejam bem-vindos!

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Sou Daniela,

Psicanalista, com ampla atuação na saúde pública. Meu foco é garantir a escuta do sujeito no ambiente hospitalar. Com meu blog, espero inspirar e auxiliar outros psicanalistas a sustentarem essa prática clínica nos hospitais.