A UTI e a emergência são, inegavelmente, os cenários mais intensos e violentos dentro de um hospital. Corredores rápidos, alarmes incessantes, corpos gravemente adoecidos, sedados ou inconscientes, e famílias em absoluto estado de choque configuram o ambiente onde o Real se escancara, sem qualquer aviso. Realizar um atendimento psicanalítico em UTI hospitalar é uma práxis que exige repensar radicalmente a nossa relação com o tempo, o espaço e o próprio corpo, sustentando a especificidade do nosso ato de escuta diante da lógica de urgência e do risco iminente de morte.

O que traz à psicanálise nas UTIs desafios práticos tão complexos é a extrema vulnerabilidade a que todos estão submetidos. O paciente chega em estado crítico, deparando-se com a castração e muitas vezes sem consciência do horror que o atravessa, enquanto a família recebe a notícia abruptamente, sem tempo subjetivo para simbolizar o impacto. O tempo cronológico da Medicina impera de forma tirânica: a situação pode mudar drasticamente em minutos, ocorrendo, por exemplo, uma parada cardiorrespiratória, uma piora súbita ou uma transferência de setor.

O espaço físico é igualmente inóspito: atendemos entre macas, corredores apertados e em espaços coletivos. Nesse cenário, para sustentar a escuta psicanalítica com pacientes hospitalizados, nossa intervenção precisa ser rápida e cirúrgica, capturando o que é dito e o que permanece silenciado pela angústia, sem prometer ao sujeito uma continuidade irreal que a própria instituição não pode garantir.

No ambiente hospitalar, o desamparo humano apresenta-se em sua forma mais pura. Acompanho pacientes para quem a internação no CTI é vivenciada como um pânico avassalador, uma ruptura total de identidade. A família, por sua vez, é engolida pelo medo da perda, pela culpa (“se eu tivesse trazido antes”) e pela sensação de absoluta impotência diante do arsenal tecnológico e do discurso médico.

O psicanalista está ali para acompanhar o paciente, estar junto dele, fazendo-o falar, escutando suas dores e angústias, sem dar respostas ou conselhos.

A Articulação entre os diferentes discursos

A articulação da Psicanálise com a equipe multidisciplinar hospitalar é outro desafio diário. Médicos e socorristas seguem rígidos protocolos de vida ou morte, priorizando — com razão — a estabilidade vital do corpo biológico. Contudo, essa urgência frequentemente apaga o sujeito. O analista busca justamente compreender a transferência e a fantasia por trás do indizível.

Para construirmos esse diálogo, precisamos traduzir nossas intervenções para uma linguagem acessível à equipe de saúde, mostrando como a nossa escuta do inconsciente incide diretamente na estabilidade emocional do caso e na redução de conflitos. 

Construa recursos para suportar o insuportável (Supervisão Clínica)

Lidar diariamente com a finitude, com paradas cardíacas súbitas, com o insuportável de corpos mutilados e com famílias em colapso cobra um preço extremamente alto do profissional. O risco de esgotamento, desgaste emocional intenso e identificação excessiva com a dor do outro é uma ameaça real e constante para quem atua na urgência. Sustentar a posição do analista diante do caos da UTI é uma tarefa complexa e solitária.

Você não precisa enfrentar os limites impostos pela clínica hospitalar de forma isolada. Se você é psicanalista, psicólogo ou profissional da saúde e escolheu não recuar da sua práxis, a supervisão clínica contínua é o seu contorno simbólico. Clique aqui e agende agora o seu horário de supervisão clínica. Juntos, vamos trabalhar os seus recortes institucionais para refletir sobre os limites da sua intervenção, construindo os recursos técnicos e éticos necessários para suportar o insuportável e garantir que o sujeito do inconsciente advenha.

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Sou Daniela,

Mestre em Psicanálise, com mais de 25 anos de atuação em instituições de saúde do RJ. Meu foco é garantir a escuta do sujeito no ambiente hospitalar. Com meu blog, espero inspirar e auxiliar outros psicanalistas a sustentarem essa prática clínica nos hospitais.

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